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1985
Nacional
13º CAMPEONATO DE PORTUGAL DE PERCURSO DE CAÇA
E 1985 ía começar sob o signo da mudança. Havia muito a fazer, muita coisa a
mudar. E uma coisa que mudou foi, na continuação do Campeonato de Portugal de
Percurso de Caça pelo sistema de contagens, a passagem do número das mesmas, de
quatro para cinco, sendo a final que era disputada a 200 pratos obrigatória, a
qual somada às duas melhores de 100 pratos, determinaria o vencedor.
O Campeonato começou a 26 e 27 de Janeiro, com a 1ª contagem em Vilamoura. 34
atiradores disputaram-na, tendo saído vencedor ANTÓNIO CÂNDIDO com 89/100,
seguido de JOSÉ ESPÍRITO SANTO com 88, ambos a atirarem pelo C.P.T.C.
Seguiram-se TEOLINDO VIEGAS de Loulé e LUIS BARATA de Castelo Branco, os dois
com 85.
A 2ª contagem foi em Lisboa a 02 e 03 de Fevereiro. Saiu vencedor dela JOÃO
FIALHO do C.P.T.C. com 85/100, após desempate com HÉLDER CAVACO de Loulé. Ambos
terminaram com 85, tendo o João feito no desempate 19 e o Hélder 16. Em terceiro
ficou CARLOS NUNES de Lisboa com 84, seguido de JOSÉ MARINHO com 83 e de ALBERTO
MARINHO com 82, os dois na altura a atirarem por Pevidém. Em Lisboa estiveram
presentes 44 atiradores.
Castelo Branco fez disputar a 3ª contagem, a qual contou com 43 participantes.
Ganhou CARLOS NUNES com 91, seguido de ANTÓNIO CÂNDIDO com 89. Em terceiro ficou
JOSÉ CANILHO com 87. BERNARDO SIMÕES ficou na terceira posição, após desempate
com JOSÉ MARINHO. Fizeram respectivamente, 86+23 e 86+21
O Clube de Caçadores do Porto organizou a 4ª contagem, à qual concorreram 45
atiradores. Foi vencedor SÍLVIO LEITE com 89/100. Em segundo ficou HELDER CAVACO
com 88, seguindo-se em terceiro BERNARDO SIMÕES com 87. Em quartos com 86,
ficaram JOÃO FIALHO, TEOLINDO VIEGAS e EMÍLIO PEREIRA.
Para a final disputada de novo em Vilamoura, apresentaram-se 45 atiradores.
Ganhou BERNARDO SIMÕES com 176, após desempate com ALBERTO MARINHO. Em terceiro
ficou JOSÉ CANILHO com 174.
A classificação final do Campeonato de Portugal, ficou assim ordenada:
|
1º |
BERNARDO SIMÕES |
349/400 |
|
2º |
CARLOS NUNES |
348 |
|
3º |
ANTÓNIO CÂNDIDO |
346 |
|
4º |
JOSÉ CANILHO |
344 |
|
5º |
ALBERTO MARINHO |
342 |
|
6º |
JOÃO FIALHO |
335 |
|
7º |
JOSÉ MARINHO |
334 |
|
8º |
CARLOS PALHAVÃ AMARAL |
332 |
|
9º |
TEOLINDO VIEGAS |
331 |
|
10º |
JOÃO BOTELHO |
329 |
|
|
JOSÉ ESPÍRITO SANTO |
329 |
TAÇA DE PORTUGAL DE PERCURSO DE CAÇA
E foi neste ano que se disputou pela primeira vez esta taça. Oferecida por Mário
Chaves, destinava-se a ser disputada entre as diversas equipas de clubes.
Na sua primeira edição, foi ganha pelo Clube Português de Tiro a Chumbo, cuja
equipa era constituída pelos atiradores ANTÓNIO CÂNDIDO, CARLOS PALHAVÃ AMARAL,
JOÃO BOTELHO e JOÃO FIALHO, que fizeram 665/800.
Internacional
18º CAMPEONATO DA EUROPA DE PERCURSO DE CAÇA
Neste ano e onze depois, o Campeonato da Europa voltou a França, sendo disputado
no CLUBE LA ROCHE COULOIR na localidade de Chevreuse, que fica a 40 km. de
Paris. A prova decorreu de 25 a 28 de Abril.
E pela primeira vez, a Federação começou a comparticipar as despesas de
deslocação dos atiradores seleccionados, mas não as cobrindo ainda totalmente.
Igualmente neste ano as viagens começaram a ser feitas de avião, com os membros
das delegações nacionais a apresentarem-se todos vestidos da mesma maneira. Até
então as comitivas portuguesas não tinham vestuário igual, causando um efeito
muito pouco agradável, quando comparado com delegações doutros países,
nomeadamente França, Grã-Bretanha, Bélgica, etc. E para conferir ainda mais
dignidade às mesmas, quando chefiadas por mim, tinham que se apresentar já no
aeroporto com a indumentária oficial. Tive porém que vencer algumas
resistências, porque alguns por comodidade ou para me contrariarem, procuravam
sempre esquivar-se a isso, transportando-a na mala de porão. Houve inclusive um
caso, em que um dos seleccionados foi por mim ameaçado de não seguir viagem,
caso não se apresentasse no aeroporto com o traje oficial vestido.
Deslocaram-se a Chevreuse os atiradores:
António Cândido
Augusto Simões
Bernardo Simões
Evangelista Silva
Filipe Rodrigues
Hélder Cavaco
José Canilho
José Espírito Santo
José Pacheco Rodrigues
Teolindo Viegas
Eu chefiei a delegação e o Filas deslocou-se como árbitro.
O Clube La Roche Couloir situava-se no meio de bosques, que rodeavam belas
planícies sempre muito verdes, onde por vezes se avistavam corços e gamos. Os
percursos, na altura ainda clássicos, eram desenhados em clareiras ou planícies,
sendo de inegável beleza. No centro, onde havia um trap sobre uma planície, foi
desenhado um dos mais bonitos e difíceis percursos em que alguma vez atirei.
Havia também um lago muito bonito e onde os pratos apresentavam um grau de
dificuldade bastante grande.
Todavia a dificuldade não assentava na distância a que se tinha que atirar aos
pratos, mas sim às suas trajectórias, ângulos e velocidade, esta muito diferente
de uns para os outros. Mas havia igualmente alguns pratos deficientemente
marcados e que originavam problemas. Recordo que o Hélder Cavaco a atirar
muitíssimo bem, foi altamente prejudicado num percurso, onde uma batida vinda da
esquerda, fazendo uma curva elíptica, caía normalmente atrás duma árvore que,
creio era um eucalipto (aliás árvore rara em França). O Hélder era e creio que
ainda o é, um atirador muito rápido na sua execução. Na “ Plaine “, o tal
percurso do trap, tinha feito na primeira vez um 23 que era só o melhor
resultado lá registado aos 100 pratos. Já não recordo bem e também não consegui
encontrar elementos a este respeito, mas creio que ao fim dos cem pratos estava
em sétimo ou oitavo lugar na classificação geral. Cheio de confiança, apesar de
ainda ser um miúdo na altura, iria certamente acabar num lugar de destaque.
Porém aquela batida que deveria cair tapando-se atrás de árvore lá no alto, mas
aparecendo logo a seguir e dando tempo mais que suficiente para se lhe atirar,
bateu na árvore e não se partindo, veio caindo de ramo em ramo, impossibilitando
o Hélder de lhe atirar o segundo tiro, pois tinha-a falhado no primeiro. O Filas
que era o árbitro desse percurso, talvez por distracção não viu o que se passou
e deu-o como sendo zero. Eu que estava presente protestei de imediato, no que
fui acompanhado por todos os seis atiradores que compunham a pranchada.
Incompreensivelmente porém, o Filas não aceitou os protestos, tendo-se gerado
uma enorme discussão. Avisei-o de que ia apresentar uma reclamação, o que acabei
por não fazer, porque vi logo que não iria contar com os testemunhos dos outros
atiradores presentes, aquando da reunião do júri para apreciação da reclamação.
Para além disso, o regulamento da FITASC também não ajudava, pois nele diz-se
taxativamente que nenhuma reclamação será aceite se, se referir ao julgamento
por parte dos árbitros, sobre o resultado obtido pelos atiradores, ao atirarem a
um prato.
É claro que uma situação como aquela, não poderia deixar de influenciar pela
negativa, a actuação do Hélder Cavaco nos 75 pratos a que faltava atirar.
Infelizmente, não estou de posse de elementos que me permitam dizer, quais as
classificações dos atiradores portugueses.
E se algum dos atiradores que se deslocaram a França tem na sua posse elementos
a este respeito, agradeço que mos faculte, afim de serem incluídos neste texto.
O Campeonato da Europa foi ganho pelo francês J. CLOQUEMIN, o qual entretanto
desapareceu do tiro, pois nunca mais o voltei a encontrar. P. CLAYEUX igualmente
francês, veio a ganhar em veteranos, a alemã P. PFITZNER repetiu o triunfo do
ano anterior em senhoras e o britânico P. FOSTER ganhou juniores.
7º CAMPEONATO DO MUNDO DE PERCURSO DE CAÇA
E chegou a vez de ser a Grã-Bretanha a organizar um Campeonato do Mundo, o qual
se desenrolou de 30 de Maio a 02 de Junho de 1985, no Wynyard Park Shooting
Ground, em Cleveland.
De Portugal deslocaram-se os atiradores, João Botelho que chefiava, António
Cândido, Bernardo Simões, Carlos Nunes e Hélder Cavaco que constituíam a equipa
nacional e ainda, Augusto Simões, Artur G. Santos, Filipe Rodrigues e José
Pacheco
Rodrigues. Igualmente não me foi possível encontrar dados respeitantes às
classificações dos nossos atiradores. Pode acontecer que algum dos que lá
foram tenha esses elementos e que queira facultá-los, para serem aqui
publicados.
A prova foi ganha por BARRY SIMPSON em seniores, tendo A.J. COOK triunfado em
veteranos, ambos da Grã-Bretanha, bem como o júnior P. FOSTER. Em senhoras o
triunfo veio a sorrir à francesa G. BATUT. A GRÃ-BRETANHA ganhou em equipas de
seniores, não tendo conseguido encontrar as restantes classificações colectivas. |