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1981
Nacional
CLUBE DE TIRO DE VILAMOURA
Foi no dia 16 de Janeiro de 1981 que se deu a inauguração do Clube de Tiro de
Vilamoura. MÁRIO CHAVES que habitualmente passava as férias em Lagos, logo que
Vilamoura foi criada comprou uma casa lá. Vendo o enorme potencial que a nova
estância turística poderia ter para o tiro e beneficiando da vontade da Lusotur
em criar novas estruturas que aumentassem a oferta turística, não hesitou.
Apoiado entusiasticamente por CARLOS FAGULHA e por JORGE CRUZ, criaram o Cube de
Tiro de Vilamoura. A Lusotur disponibilizou o espaço, o qual se situa muito
próximo da entrada principal da estância. O Clube começou com quatro campos de
tiro ao voo, dois fossos olímpicos, que funcionavam igualmente como fossos
universais, salvo erro um skeet e oito percursos de caça clássicos. Destes,
quatro eram feitos nos campos de fosso e os outros quatro no meio do pinhal,
onde quatro torres com cerca de vinte metros de altura aumentavam a diversidade
de pratos a atirar. Uma sede e restaurante provisórios foram igualmente
instalados. Posteriormente foi feito o quinto campo de tiro ao voo, onde se
passou igualmente a atirar em percurso de caça e montado mais um skeet.
Igualmente foi construído um novo edifício, onde passaram a funcionar a sede, o
restaurante e zonas de apoio. Inicialmente instalado na periferia da estância, o
clube está agora condenado a fechar, devido à enorme pressão que a construção
imobiliária exerce na zona. Fala-se em novas instalações (fora de Vilamoura),
mas até à presente data, nada está definido. E é pena. O Algarve merece um campo
de tiro com qualidade. Lá existem muitos e bons atiradores, que precisam dum
local com dignidade, onde possam praticar o seu desporto favorito. E isto para
não falar dos clientes ingleses, que até propositadamente se deslocam ao
Algarve, só porque com condições climatéricas semelhantes, nada têm na Europa ou
no Mundo, a pouco mais de duas horas de viagem de avião.
9º CAMPEONATO DE PORTUGAL DE
PERCURSO DE CAÇA
Neste ano e uma vez que o Clube de Caçadores do Porto já tinha instalado campos
de tiro para Percurso de Caça e já tinha organizado um Campeonato da Europa, a
Federação confiou ao mesmo Clube a organização do Campeonato de Portugal, o qual
se disputou nos dias 4 e 5 de Abril. BERNARDO SIMÕES viria a triunfar,
conquistando assim o seu terceiro título de Campeão de Portugal. Fez 179/200,
mais 7 pratos que JOSÉ MARINHO que ficou em segundo com 172. Na terceira posição
ficou COSTA RAMOS com 169 + 21, ANTÓNIO CÂNDIDO foi quarto com 169 + 20, ALBERTO
MARINHO foi quinto com 168. Classificaram-se a seguir, em sexto JOÃO RAMOS com
166, em sétimos LACERDA BARRADAS, AMARO FERREIRA e SÍLVIO LEITE com 163 e em
oitavos EVANGELISTA SILVA e ALBERTO DINIZ com 162.
Em veteranos AUGUSTO SIMÕES era praticamente invencível.
Ganhou com 124/150, mais sete pratos que MÁRIO CHAVES que foi segundo com 117.
JOSÉ DEL RIO foi terceiro com 99 e JOSÉ PACHECO RODRIGUES ficou em quarto com
96.
Em senhoras ANA MARIA SIMÕES fez 64/150 e superiorizou-se a MARIA LUÍSA FERREIRA
que não foi além de 48.
ROCHA JÚNIOR foi o único júnior inscrito, tendo
terminado com 100/150.
Como curiosidade, anote-se o facto de a família SIMÕES ter arrecadado três dos
quatro títulos em disputa. Só não ganharam juniores porque na altura não tinham
nenhum para inscrever.
Internacional
14º CAMPEONATO DA EUROPA DE PERCURSO DE CAÇA

Foto: Copyright © C.P.T.C.
Ao CLUBE PORTUGUÊS DE TIRO A
CHUMBO foi confiada pela quarta vez, a organização dum Campeonato da Europa. A
confiança depositada no Clube de Lisboa pelas Federações nacional e
internacional, era inteiramente merecida, dada a qualidade que tiveram as
anteriores organizações, não só desta modalidade, como também na de tiro ao voo.
Para além disso a proximidade a que os hotéis estão do stand, bem como o próprio
aeroporto, sempre foram do agrado dos estrangeiros que nos visitavam. 133
atiradores de vários países estiveram presentes e esse número que nos dias de
hoje é largamente ultrapassado, era o possível, atendendo aos oito percursos
clássicos de que o CPTC dispunha. O Clube de Lisboa, não querendo deixar os seus
créditos por mãos alheias, voltou a brindar todos os participantes com uma
organização exemplar. Em seniores MICHEL RIBOULET viria a triunfar de novo em
Lisboa, vingando assim a derrota que lhe for imposta no ano anterior no Porto
por PATRICK HOWE, que desta vez não conseguiu sequer ficar entre os dez
primeiros classificados. Fez 178/200 e deixou o segundo, o seu compatriota
CHRISTIAN BLASSEL que fez 170 a oito pratos. Em terceiro ficou o espanhol JUAN
HERMOSILLA com 169. Os franceses C. MARSALEIX e JEAN CLAUDE MENG ficaram em
quarto com 166 e o também francês ANDRÉ GREJON foi sexto junto com o espanhol
HENRIQUE PEREZ, AMBOS COM 165. Em oitavos ficaram os ingleses A. G. SMITH (que
despontava para uma grande carreira), D. LAWTON e G. M. COWLER, todos com 164.

Michel Riboulet
no C.P.T.C.
Copyright Revista Diana/1981
Em veteranos
AUGUSTO SIMÕES venceu novamente, ganhando pela quarta e última vez um Campeonato
da Europa. Fez 105/150 e bateu por um prato o francês P. CLAYEUX. No terceiro
lugar ficou o inglês S. BARLOW com 103. Vitória “suada” pois do “velho cuco”,
que nos deu a alegria de fazer a nossa bandeira subir no mastro de honra.

Augusto Simões no C.P.T.C.
Copyright Revista Diana/1981

Em senhoras ganhou a simpatiquíssima CLAUDE MENG, mulher do também muito
simpático Jean Claude Meng. Fez 128/200, tendo a inglesa A. HILLYER feito 125.
Esta atiradora começou neste ano uma impressionante série de vitórias, em
Campeonatos da Europa e do Mundo. No terceiro lugar ficou a belga J. DELACROIX
com 110. Ana Maria Simões, filha do campeoníssimo Augusto Simões, apesar da sua
pouca experiência face às suas cotadas opositoras, foi sétima com 88.
Em juniores ganhou o espanhol J. GUARDIOLA, que fez 118/150. No segundo posto
ficou o francês C. DE LORENZI com 114 e em terceiro o inglês O FENNER com 104.
Nas equipas nacionais a vitória sorriu à ESPANHA com 660/800. No segundo lugar
ficou a FRANÇA com 648 e no terceiro a INGLATERRA com 637. Os elementos que
consegui reunir deste campeonato são escassos, mas creio que Portugal ficou em
quinto atrás da Bélgica. Igualmente no que respeita a participação de
portugueses, não consegui encontrar quaisquer elementos.
3º CAMPEONATO DO MUNDO DE
PERCURSO DE CAÇA

À Espanha e à cidade de Madrid, foi atribuída a organização
do 3º Campeonato do Mundo. Disputou-se no stand de Somontes, de 19 a 21 de Junho
e pouco se sabe acerca do mesmo. Sei que alguns portugueses estiveram presentes
e eu próprio estive para ir. Porém à última hora acabei por não poder
deslocar-me. Sei que entre os presentes estavam Augusto Simões, a sua filha Ana
Maria, Evangelista Silva, César Ribeiro, Lacerda Barradas e Pedro Belchior.
AUGUSTO SIMÕES se bem que não tenha conseguido vencer desta vez, alcançou o
pódio, classificando-se na terceira posição. Nada mais sei das classificações
dos restantes. Em Madrid o inglês D. LAWTON ganhou em seniores, tendo o também
inglês BARLOW ganho veteranos. CLAUDE MENG fez a dobradinha e ganhou em
senhoras. Aliás igualmente em juniores o espanhol J. GUARDIOLA ganhou, juntando
o título ao de campeão da Europa, que ganhara em Lisboa. A Inglaterra viria a
triunfar por equipas de seniores.
A TORRE DE ALTO VOO EM MONSANTO
A torre de alto voo instalada no C.P.T.C. em Monsanto, com os seus 25 metros de
altura, era escorada nos seus quatro lados por cabos de aço, instalados mais ou
menos a meia altura, ligados obliquamente ao solo, onde eram fixados em grossas
poitas de cimento, parcialmente enterradas.
Com o passar dos anos, as contínuas subidas e descidas das máquinas carregadas
de pratos, e o balançar causado pelos ventos e também pelo lançar de pratos,
esses cabos começaram a ficar bambos e cansados. Várias vezes alertei os
responsáveis para o perigo que tal representava, pois a torre poderia vir a
cair.
A determinada altura (não me foi possível saber exactamente quando) a torre deu
de si e tombou de lado, tendo porém ficado sustida pelos cabos. Conseguiu-se
repô-la na posição vertical, tendo-se procedido ao esticamento dos mesmos.
Porém, salvo erro no fim de 1981 (informação prestada pelo José Luís Montalvão
que na altura era director do C.P.T.C.) e à falta de elementos arquivados na
secretaria, a mencionada torre viria a cair totalmente durante um grande
temporal que assolou Lisboa.
Isto deve ter acontecido durante a noite duma Sexta-feira ou dum Sábado. Eu na
altura residia no Lumiar e de manhã, quando como era habitual me dirigia para o
clube, vi com angústia (na Segunda Circular via-se bem a torre a emergir do
arvoredo de Monsanto) que faltava algo na paisagem da serra. Era verdade
infelizmente. A torre caíra na direcção Norte, tendo mesmo assim poupado a casa
onde se guardavam acessórios, pratos e onde estava instalado o telefone. Mais
uma vez, as “forças” adversas do Percurso de Caça, causavam impunemente um
enorme prejuízo ao Clube e aos seus associados praticantes da modalidade.

Queda da
Torre em Lisboa 1981
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