José Felizol - C.P.T.C. - 30 Setembro 2006

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José Felizol - Prova Del Rio1979

7º CAMPEONATO DE PORTUGAL DE PERCURSO DE CAÇA

Foi neste ano que Portugal passou a contar com a instalação de mais um Percurso de Caça. Impulsionados por Mário Chaves, os directores do Clube de Caçadores do Porto investiram na modalidade e em boa hora o fizeram. Nasceu na Quinta da Agra um dos mais bonitos conjunto de campos da modalidade, onde se destacava pela sua beleza e dificuldade, A LEBRE. Era assim chamado, porque tinha instalada uma máquina de lançar pratos semelhantes a uma lebre, que em plena corrida desciam encosta abaixo, a uma velocidade que provocava imensos zeros. Mais tarde viria a ser rebaptizado, passando a denominar-se A PERDIZ. Perdeu a lebre, mas não perdeu a beleza, pois para mim continua a ser um dos mais bonitos que existem em Portugal.

Como na altura as gentes do Norte não tinham grandes conhecimentos da “matéria”, foi chamado para desenhar os percursos Mário Chaves, o qual foi auxiliado por João Franco e o espanhol Gonçalo Velasco, que viriam a fazer um belíssimo trabalho instalando oito campos.

O Percurso de Caça foi inaugurado no Clube de Caçadores do Porto, nos dias 26 e 27 de Maio de 1979, com a disputa do 2º Campeonato Ibérico e do 8º Campeonato de Portugal. Curiosamente, os registos de que disponho dizem que este campeonato foi o oitavo, faltando portanto o sétimo. Creio que terá havido da parte do Sr. Fernandes, que na altura era quem na Federação fazia a escrita das provas, um engano, avançando um ano no seu apontamento.

Foi igualmente neste ano, que o Clube de Caçadores de Matosinhos inaugurou nas suas instalações, quatro campos de Percurso de Caça. Situados naquele morro que todos conhecemos, eram no seu início de grande beleza. Dois estavam situados nas raquetes, onde se atirava também Fosso Olímpico, Tiro ao Voo, Skeet e Fosso Universal. Os outros dois situavam-se em zonas adaptadas para o efeito. Um atrás das instalações, numa zona muito arborizada. O outro bem lá no fundo do morro, com as posições postas no caminho que o circundava. Este percurso era muito bonito, pois permitia tiros de alto voo sem necessidade de qualquer torre. A modalidade estava imparável, pois com este passaram a existir quatro clubes com Percurso de Caça.

CAMPEONATO DE LISBOA

O ano começou porém com a disputa do Campeonato de Lisboa, que era simultaneamente a 1ª contagem do 1º Lisboa-Porto. Foi no dia 31 de Março, tendo-se atirado a 100 pratos.

Não sei se houve segunda contagem e creio que não. Os dados de que disponho apenas mencionam os resultados da primeira. Nesta época eu não atirava mal como agora acontece. Atirados 75 pratos estava na frente e faltava-me o Planalto. Neste percurso que tinha duas posições em cima no campo 4 e duas em baixo no campo 3 e após limpar as posições de cima, quando me preparava para atirar em baixo onde todos os pratos eram de “bico” ( os meus preferidos ), apareceram o Bernardo Simões e o António Cândido, afogueados, a perguntar-me quantos zeros levava. Não me apercebendo da “intenção”, respondi dizendo que estava limpo. Pronto, disseram em uníssono, já ganhaste !  Bom, faltava-me atirar a dez pratos, todos de entrada. E sabem quantos parti ? Nenhum. Vim a acabar mesmo assim a um prato do vencedor, mas em quarto lugar. Ganhou a prova o JOSÉ LUÍS MONTALVÃO com 79, após desempatar com o BERNARDO SIMÕES que ficou em segundo. Eu desempatei com  JOSÉ DE MATOS e com AUGUSTO SIMÕES que também fizeram 78, mas perdi o desempate para o primeiro. No quinto lugar ficou AUGUSTO SIMÕES, em sexto JOÃO CRUZ com 77, em sétimo ANTÓNIO CÂNDIDO com 75, em oitavo GOMES PEREIRA com idêntico resultado, em nono, HENRIQUE FARIA com 74 e em décimo ROMÃO GUERREIRO também com 74.

Por equipas, que eram constituídas por dez atiradores cada uma, Lisboa deu um banho ao Porto, fazendo 736, contra 683 dos nortenhos. De salientar que na equipa do Norte atiraram Augusto e Bernardo Simões, além do grande campeão Eduardo Jordão.

2º CAMPEONATO IBÉRICO

A 26 e 27 de Maio, como atrás refiro, foi inaugurado o Percurso de Caça no Clube de Caçadores do Porto. Nos mesmos dias foi disputado o 8º Campeonato de Portugal. O Campeonato Ibérico terá sido também disputado numa única mão, pois não só não me recordo da segunda, como também não encontrei elementos a seu respeito.

Por equipas e vingando a derrota no ano anterior, a equipa A de Espanha venceu com 639/800. Em segundo ficou Portugal A com 602, em terceiro Portugal B com 585 e em quarto a Espanha B com 575. Pela equipa vencedora atiraram JUAN AVALOS, RAMON RODRIGUEZ, PEDRO ALONSO e JUAN HERMOSILLA. Por Portugal A atiraram JOSÉ LUIZ MONTALVÃO, ANTÓNIO CÂNDIDO, JOÃO CRUZ e HENRIQUE FARIA. Portugal B tinha AUGUSTO SIMÕES, EDUARDO JORDÃO, JOÃO RAMOS e AMARO FERREIRA.   A equipa de Espanha B tinha JOSÉ BARTUAL, PEDRO VELA, PACO BALLESTER e GONÇALO VELASCO.

Individualmente o campeonato foi ganho por JUAN HERMOSILLA com 172/200. Em 2º ficou JUAN AVALOS que desempatou com LACERDA BARRADAS. Ambos tinham feito 159 e no desempate fizeram respectivamente 22 e 13. EDUARDO JORDÃO com 158 foi 4º com 158 e PEDRO ALONSO e JOÃO CRUZ ficaram a seguir com 157.

Em veteranos AUGUSTO SIMÕES ganhou com 109/150, MÁRIO CHAVES foi 2º com 100, FRANCISCO DOMINGUEZ foi 3º com 99 e DEL-RIO 4º com 91.

8º CAMPEONATO DE PORTUGAL DE PERCURSO DE CAÇA

Disputado em simultâneo com o C. Ibérico, foi ganho por LACERDA BARRADAS, na altura a atirar muito bem e que fez 159/200. EDUARDO JORDÃO ficou em 2º com 158, JOÃO CRUZ foi 3º com 156, ANTÓNIO CÂNDIDO ficou em 4º com 153. Em veteranos ganhou AUGUSTO SIMÕES, seguido de MÁRIO CHAVES e DEL-RIO com os resultados indicados atrás.

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12º CAMPEONATO DA EUROPA DE PERCURSO DE CAÇA

1º CAMPEONATO DO MUNDO DE PERCURSO DE CAÇA

Coincidindo com a organização do seu terceiro Campeonato da Europa de Percurso de Caça, Lisboa e o Clube Português de Tiro a Chumbo, recebem da Federação Internacional a honra de organizarem o 1º CAMPEONATO DO MUNDO da modalidade. A esta honra não foi estranha certamente, a beleza do campo de tiro, as anteriores organizações e a localização única deste campo de tiro, que no meio de uma cidade, sem perturbar ninguém, sem causar barulho que incomode seja quem for, no meio do parque florestal de Monsanto, reunia e continua a reunir, as melhores condições para a prática de tiro a chumbo, desporto que, quer se queira quer não, agrega no Mundo inteiro vários milhões de praticantes. E se bem que alguns esquizofrénicos pretendam que tal desporto tenha que acabar, estou seguro que tal nunca acontecerá, pois a nossa força é muito grande e estamos seguramente à cabeça, no número de praticantes de todos os desportos que são praticados mundialmente.

A prova começou com o Campeonato da Europa, que se disputava a 200 pratos. Seguia-se o Campeonato do Mundo, acrescentando a esses 200 pratos mais 75, afim de encontrar os primeiros campeões do Mundo de Percurso de Caça.

142 atiradores vindos de França (42), Grã-Bretanha (38), Portugal (17), Espanha (13), Bélgica (11), África do Sul (11), Suiça (5), Irlanda (4) e Alemanha (1), marcaram encontro em Lisboa e disputaram os dois campeonatos.

Foram na altura utilizados os oito campos de P.C. existentes no C.P.T.C., Coelho, Ravina, Cabeço, Planalto, Encosta, Montado, Chaparral e Vale.

12º CAMPEONATO DA EUROPA DE PERCURSO DE CAÇA

Foi ganho individualmente por P. HOWE da Grã-Bretanha, que fez 169/200. Seguiram-se os franceses DUFOUR e MICHEL LAUR, que desempataram para o segundo lugar, tendo o primeiro feito 21/25 e o segundo 19/25. MICHEL RIBOULET foi 4º com 167. De notar que durante a prova e antes que ela terminasse, uma das máquinas da torre caiu e todos os pratos por ela atirados tiveram que ser anulados. Isso deu origem a que MICHEL RIBOULET que empataria com P. HOWE para o primeiro lugar, tenha ficado em quarto.

A queda da máquina da torre só aconteceu, porque ninguém me deu ouvidos, quando avisei primeiro o responsável Francisco Ferreira, mais conhecido por Mestre Chico e depois o próprio Dr. João Maria Bravo, que tal poderia acontecer, dado o estado de desgaste em que os cabos de sustentação se encontravam. Eu nessa época seguia com enorme paixão, tudo o que se relacionava com o P.C. Daí ter um dia reparado que os cabos que subiam as máquinas estavam a ficar “cansados”. Daí também o meu aviso aos responsáveis. Mestre Chico porém não nutria grande simpatia pelo P.C. e nada fez.  Quem viria igualmente a beneficiar da anulação dos pratos daquela máquina, foi AUGUSTO SIMÕES que pela segunda vez se sagrou campeão da Europa na categoria de veteranos.

Em seniores a classificação dos portugueses não foi brilhante. O primeiro foi BERNARDO SIMÕES em 46º com 146. Seguiram-se ANTÓNIO CÂNDIDO em 67º com 137, JOÃO RAMOS em 75º com 134, JOÃO LEITÃO CRUZ em 80º com 131, JOSÉ LUIS MONTALVÃO em 83º com 130. LACERDA BARRADAS, membro da equipa de Portugal não foi além de 100º com 124, o mesmo resultado feito por mim e por JOSÉ LUIS GUEDES.

Em veteranos e para além da vitória de AUGUSTO SIMÕES com 111, ROMÃO GUERREIRO foi 4º com 102, JOSÉ DEL-RIO ficou em 8º com 88 e MÁRIO CHAVES em 10º com 87, entre outros.

Em juniores apenas tivemos um representante. VERÍSSIMO JR. Que ficou em 5º lugar com 96, tendo a prova sido ganha pelo francês FRÉDERIC MANJOT com 118.

Em senhoras Portugal não se fez representar. A prova foi ganha pela francesa MICHÈLLE ROUX que fez 128, seguida pela britânica C. ANDREWS com 124 e pela também francesa CLAUDE MENG com 119.

De notar que neste campeonato, veteranos e juniores atiravam a 150 pratos, enquanto senhoras e seniores o faziam a 200.

Na classificação colectiva que foi ganha pela GRÃ-BRETANHA com 652/800, PORTUGAL ficou num modesto 5º lugar com 538, suplantado ainda pela BÉLGICA com 616, pela ESPANHA com 624 e pela FRANÇA com 644 e á frente da IRLANDA com 518 e da SUIÇA com 509.

A nossa equipa foi constituída pelos atiradores, ANTÓNIO CÂNDIDO, BERNARDO SIMÕES, JOÃO LEITÃO CRUZ e LACERDA BARRADAS.

1º CAMPEONATO DO MUNDO DE PERCURSO DE CAÇA

Como já acontecera no Campeonato da Europa, houve também que anular os pratos da máquina que caiu. MICHEL RIBOULET (um atirador extraordinário), vingou a derrota naquele campeonato, superiorizando-se a todos os outros participantes, terminando com três pratos de vantagem para o segundo e cinco para o terceiro, que foi P. HOWE. De notar que devido ao pouco tempo disponível, houve necessidade de “inventar” uma maneira de abreviar o tiro. E aqui mais uma vez, Mário Chaves mostrou o seu enorme entusiasmo pela modalidade, descobrindo a maneira de o fazer, sem que fosse preciso reduzir o número de pratos. Os últimos vinte e cinco pratos foram atirados não num percurso, mas sim em dois. Isso permitiu que em cada série de 25 pratos, em vez de estar uma única pranchada a atirar, estavam duas, as quais o faziam em duas posições. O Coelho tinha duas onde se atiravam 12 pratos. Atirados estes, as pranchadas passavam para a Ravina, onde se atiravam os restantes 13 pratos noutras duas . Entretanto e logo que uma pranchada passava para a Ravina, outra começava a atirar no Coelho e assim sucessivamente. MICHEL RIBOULET que foi dos últimos a atirar, tinha para garantir a vitória, que fazer 25 no conjunto dos dois percursos. E em quatro posições com pratos muito difíceis, balanceando-se no seu estilo muito próprio de concentração, conseguiu essa proeza (foi o único), sagrando-se primeiro Campeão do Mundo de Percurso de Caça. De notar que nos primeiros dez lugares, a França meteu sete atiradores. MICHEL RIBOULET (F) fez 229, MICHEL LAUR (F) 226, P. HOWE (GB) 224, E. MALLET (F) 223, D. DUFOUR (F) 222, MARK POLET (B) 220, HERMOSILLA (E) 217, WELLS (GB) 216, P. CHAMPEIX (F) 215, GUY LEGRAND (F) 214.

BERNARDO SIMÕES foi 40º com 196, J. LEITÃO CRUZ 67º com 181, ANTÓNIO CÂNDIDO 85º com 170, no mesmo lugar e com idêntico resultado JOSÉ LUIS MONTALVÃO, JOÃO RAMOS 95º com 166, LACERDA BARRADAS 109º com 161.

Em veteranos AUGUSTO SIMÕES deu uma grande tareia nos seus opositores, ganhando com 14 pratos de diferença para o segundo e sagrando-se primeiro Campeão do Mundo, na categoria de veteranos De notar ainda, que na classificação geral aos 275 pratos, foi o melhor português com 204 pratos partidos.  AUGUSTO SIMÕES fez 148/200, S. BARLOW (GB) 134, TOWNROE (GB) e ROMÃO GUERREIRO 127, ( no desempate para a medalha do terceiro lugar o britânico levou a melhor, fazendo 19/25 contra 17/25 do português ). JOSÉ DEL-RIO foi 8º com 115 e MÁRIO CHAVES 9º com 113. JOAQUIM CARDIM com 106 foi 13º e JOSÉ PACHECO RODRIGUES ficou em 14º com 103, entre 17 atiradores.

Em senhoras Portugal não se fez representar. A vitória coube à francesa M. ROUX que fez 186.

Em juniores VERÍSSIMO JR. Foi 6º com 127. O campeonato foi ganho pelo francês FRÉDERIC MANJOT com 149.

Colectivamente ganhou a FRANÇA com 872/1100. Seguiu-se a GRÃ-BRETANHA com 857, a ESPANHA com 817, a BÉLGICA com 791, PORTUGAL com 708. Atrás ficaram a IRLANDA com 690, ÁFRICA DO SUL com 684 e SUIÇA com 672.

Dotados de excelentes prémios, com uma organização magnífica e à altura de tal evento, com uma espectacular recepção aos atiradores a convite do na altura Presidente do C.P.T.C. Dr. João Maria Bravo, feita na sua quinta, terminaram estes campeonatos, deixando nos seus participantes estrangeiros uma enorme vontade de regressar.

E foi durante estes campeonatos que o espanhol JUAN DE AVALOS, arquitecto de profissão e um extraordinário artista a desenhar, nos brindou com as gravuras que se seguem e que têm a seguinte história: Os resultados obtidos pelos atiradores no percurso “Planalto”, eram anormalmente baixos, devido à enorme dificuldade do traçado que fora feito. Recordo por exemplo, que o inglês Wells que já tinha sido duas vezes campeão da Europa, fez lá um quatro ( sim um 4 em 25 )!

Estávamos a almoçar no restaurante do clube quando nos chegou essa notícia. Pegando numa caneta de feltro, Avalos desenhou na toalha que era de papel, a ida e a volta dum atirador ao referido percurso. Brilhante a ideia e brilhantes os desenhos sem dúvida, os quais tive a feliz ideia de guardar.

Copyright© Juan de Avalos

Copyright© Juan de Avalos

 

Perto do final de 1979,  nos primeiros dias de Novembro, realizaram-se eleições para novos corpos gerentes da FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE  TIRO COM ARMAS DE CAÇA. Constatando o meu entusiasmo pelo tiro e especialmente pelo Percurso de Caça, Mário Chaves que ia sair, fez-me um convite para integrar o novo elenco que iria dirigir os destinos do tiro com armas de caça em Portugal. Inicialmente hesitei, pois ainda me recordava do tempo em que fora dirigente da ASSOCIAÇÃO NAVAL DE LISBOA, esse velhinho Clube já centenário, o mais antigo clube da Europa continental e do trabalho que durante cerca de quinze anos aí desenvolvera. Ser dirigente desportivo era (e é) um trabalho extra, que para além de não ser remunerado era (e continua a ser) por vezes muito mal compreendido. Além disso, raramente alguém se disponibilizava para ocupar esses lugares. Quando convidados a fazê-lo, todos tinham imenso trabalho ou ocupações impeditivas disso. Porém e curiosamente, para criticar o trabalho dos que a tal não se negavam, estavam sempre como infelizmente continua a acontecer, na primeira linha. Todavia o entusiasmo era muito e o trabalho a desenvolver bastante aliciante. Por outro lado, a equipa escolhida parecia ser coesa. Presidida pelo Dr. Augusto Leite de Faria, que vivia no Porto, tinha como vice-presidentes Manuel Paio para o tiro ao voo e Lacerda Barradas para o tiro aos pratos. Fernando Paulino e José Mestre, este prematuramente falecido, eram respectivamente tesoureiro e secretário para o tiro ao voo.  No tiro aos pratos, Manuel Vilarinho ficou como secretário e eu como tesoureiro. A primeira reunião da nova direcção, após a tomada de posse, realizou-se no dia 22 de Novembro na sede da Federação em Lisboa. Esta sede, na Rua Júlio Dinis, tinha duas divisões com cerca de nove metros quadrados cada. Não tinha arrecadação nem dispensa e o arquivo era feito na “kitchenette” que por sua vez se situava no hall de entrada e que era muito pequeno. Uma das divisões servia de secretaria onde pontificava o Sr. Fernandes, G.N.R. reformado, que era de uma fidelidade absoluta à Federação. A outra servia como espaço de reunião da direcção. Quando a mesma se reunia na sua totalidade, o que raramente aconteceu, quase não cabíamos todos lá. A reunião acima citada, convocada pelo Presidente Leite de Faria, começou recordo, com um atraso de cerca de uma hora. Todos estávamos impacientes mas aceitámos o atraso, pois o Presidente vinha do Norte. O Dr. Leite de Faria chegou, abriu uma pasta e disse-nos: «meus amigos, vamos discutir alguns assuntos referentes ao futuro do tiro em Portugal. Como mais importante, temos a nomeação do espanhol António Gaiztarro para presidente da F.I.T.A.S.C. Eu estou de acordo e espero que todos vós concordem também. Passemos pois aos assuntos seguintes». E assim começou aquilo que julgávamos ser uma nova era no tiro desportivo em Portugal.

Brevemente voltarei a este assunto

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