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1979
7º CAMPEONATO DE PORTUGAL DE PERCURSO DE CAÇA
Foi neste ano que Portugal passou a contar com a instalação de mais um Percurso
de Caça. Impulsionados por Mário Chaves, os directores do Clube de Caçadores do
Porto investiram na modalidade e em boa hora o fizeram. Nasceu na Quinta da Agra
um dos mais bonitos conjunto de campos da modalidade, onde se destacava pela sua
beleza e dificuldade, A LEBRE. Era assim chamado, porque tinha instalada uma
máquina de lançar pratos semelhantes a uma lebre, que em plena corrida desciam
encosta abaixo, a uma velocidade que provocava imensos zeros. Mais tarde viria a
ser rebaptizado, passando a denominar-se A PERDIZ. Perdeu a lebre, mas não
perdeu a beleza, pois para mim continua a ser um dos mais bonitos que existem em
Portugal.
Como na altura as gentes do Norte não tinham grandes conhecimentos da “matéria”,
foi chamado para desenhar os percursos Mário Chaves, o qual foi auxiliado por
João Franco e o espanhol Gonçalo Velasco, que viriam a fazer um belíssimo
trabalho instalando oito campos.
O Percurso de Caça foi inaugurado no Clube de Caçadores do Porto, nos dias 26 e
27 de Maio de 1979, com a disputa do 2º Campeonato Ibérico e do 8º Campeonato de
Portugal. Curiosamente, os registos de que disponho dizem que este campeonato
foi o oitavo, faltando portanto o sétimo. Creio que terá havido da parte do Sr.
Fernandes, que na altura era quem na Federação fazia a escrita das provas, um
engano, avançando um ano no seu apontamento.
Foi igualmente neste ano, que o Clube de Caçadores de Matosinhos inaugurou nas
suas instalações, quatro campos de Percurso de Caça. Situados naquele morro que
todos conhecemos, eram no seu início de grande beleza. Dois estavam situados nas
raquetes, onde se atirava também Fosso Olímpico, Tiro ao Voo, Skeet e Fosso
Universal. Os outros dois situavam-se em zonas adaptadas para o efeito. Um atrás
das instalações, numa zona muito arborizada. O outro bem lá no fundo do morro,
com as posições postas no caminho que o circundava. Este percurso era muito
bonito, pois permitia tiros de alto voo sem necessidade de qualquer torre. A
modalidade estava imparável, pois com este passaram a existir quatro clubes com
Percurso de Caça.
CAMPEONATO DE LISBOA
O ano começou porém com a disputa do Campeonato de Lisboa, que era
simultaneamente a 1ª contagem do 1º Lisboa-Porto. Foi no dia 31 de Março,
tendo-se atirado a 100 pratos.
Não sei se houve segunda contagem e creio que não. Os dados de que disponho
apenas mencionam os resultados da primeira. Nesta época eu não atirava mal como
agora acontece. Atirados 75 pratos estava na frente e faltava-me o Planalto.
Neste percurso que tinha duas posições em cima no campo 4 e duas em baixo no
campo 3 e após limpar as posições de cima, quando me preparava para atirar em
baixo onde todos os pratos eram de “bico” ( os meus preferidos ), apareceram o
Bernardo Simões e o António Cândido, afogueados, a perguntar-me quantos zeros
levava. Não me apercebendo da “intenção”, respondi dizendo que estava limpo.
Pronto, disseram em uníssono, já ganhaste ! Bom, faltava-me atirar a dez
pratos, todos de entrada. E sabem quantos parti ? Nenhum. Vim a acabar mesmo
assim a um prato do vencedor, mas em quarto lugar. Ganhou a prova o JOSÉ LUÍS
MONTALVÃO com 79, após desempatar com o BERNARDO SIMÕES que ficou em segundo. Eu
desempatei com JOSÉ DE MATOS e com AUGUSTO SIMÕES que também fizeram 78, mas
perdi o desempate para o primeiro. No quinto lugar ficou AUGUSTO SIMÕES, em
sexto JOÃO CRUZ com 77, em sétimo ANTÓNIO CÂNDIDO com 75, em oitavo GOMES
PEREIRA com idêntico resultado, em nono, HENRIQUE FARIA com 74 e em décimo ROMÃO
GUERREIRO também com 74.
Por equipas, que eram constituídas por dez atiradores cada uma, Lisboa deu um
banho ao Porto, fazendo 736, contra 683 dos nortenhos. De salientar que na
equipa do Norte atiraram Augusto e Bernardo Simões, além do grande campeão
Eduardo Jordão.
2º CAMPEONATO IBÉRICO
A 26 e 27 de Maio, como atrás refiro, foi inaugurado o Percurso de Caça no Clube
de Caçadores do Porto. Nos mesmos dias foi disputado o 8º Campeonato de
Portugal. O Campeonato Ibérico terá sido também disputado numa única mão, pois
não só não me recordo da segunda, como também não encontrei elementos a seu
respeito.
Por equipas e vingando a derrota no ano anterior, a equipa A de Espanha venceu
com 639/800. Em segundo ficou Portugal A com 602, em terceiro Portugal B com 585
e em quarto a Espanha B com 575. Pela equipa vencedora atiraram JUAN AVALOS,
RAMON RODRIGUEZ, PEDRO ALONSO e JUAN HERMOSILLA. Por Portugal A atiraram JOSÉ
LUIZ MONTALVÃO, ANTÓNIO CÂNDIDO, JOÃO CRUZ e HENRIQUE FARIA. Portugal B tinha
AUGUSTO SIMÕES, EDUARDO JORDÃO, JOÃO RAMOS e AMARO FERREIRA. A equipa de
Espanha B tinha JOSÉ BARTUAL, PEDRO VELA, PACO BALLESTER e GONÇALO VELASCO.
Individualmente o campeonato foi ganho por JUAN HERMOSILLA com 172/200. Em 2º
ficou JUAN AVALOS que desempatou com LACERDA BARRADAS. Ambos tinham feito 159 e
no desempate fizeram respectivamente 22 e 13. EDUARDO JORDÃO com 158 foi 4º com
158 e PEDRO ALONSO e JOÃO CRUZ ficaram a seguir com 157.
Em veteranos AUGUSTO SIMÕES ganhou com 109/150, MÁRIO CHAVES foi 2º com 100,
FRANCISCO DOMINGUEZ foi 3º com 99 e DEL-RIO 4º com 91.
8º CAMPEONATO DE PORTUGAL DE PERCURSO DE CAÇA
Disputado em simultâneo com o C. Ibérico, foi ganho por LACERDA BARRADAS, na
altura a atirar muito bem e que fez 159/200. EDUARDO JORDÃO ficou em 2º com 158,
JOÃO CRUZ foi 3º com 156, ANTÓNIO CÂNDIDO ficou em 4º com 153. Em veteranos
ganhou AUGUSTO SIMÕES, seguido de MÁRIO CHAVES e DEL-RIO com os resultados
indicados atrás.

FOTO: ©
CPTC
12º
CAMPEONATO DA EUROPA DE PERCURSO DE CAÇA
1º CAMPEONATO DO MUNDO DE PERCURSO DE CAÇA
Coincidindo com a organização do seu terceiro Campeonato da Europa de Percurso
de Caça, Lisboa e o Clube Português de Tiro a Chumbo, recebem da Federação
Internacional a honra de organizarem o 1º CAMPEONATO DO MUNDO da modalidade. A
esta honra não foi estranha certamente, a beleza do campo de tiro, as anteriores
organizações e a localização única deste campo de tiro, que no meio de uma
cidade, sem perturbar ninguém, sem causar barulho que incomode seja quem for, no
meio do parque florestal de Monsanto, reunia e continua a reunir, as melhores
condições para a prática de tiro a chumbo, desporto que, quer se queira quer
não, agrega no Mundo inteiro vários milhões de praticantes. E se bem que alguns
esquizofrénicos pretendam que tal desporto tenha que acabar, estou seguro que
tal nunca acontecerá, pois a nossa força é muito grande e estamos seguramente à
cabeça, no número de praticantes de todos os desportos que são praticados
mundialmente.
A prova começou com o Campeonato da Europa, que se disputava a 200 pratos.
Seguia-se o Campeonato do Mundo, acrescentando a esses 200 pratos mais 75, afim
de encontrar os primeiros campeões do Mundo de Percurso de Caça.
142 atiradores vindos de França (42), Grã-Bretanha (38), Portugal (17), Espanha
(13), Bélgica (11), África do Sul (11), Suiça (5), Irlanda (4) e Alemanha (1),
marcaram encontro em Lisboa e disputaram os dois campeonatos.
Foram na altura utilizados os oito campos de P.C. existentes no C.P.T.C.,
Coelho, Ravina, Cabeço, Planalto, Encosta, Montado, Chaparral e Vale.
12º CAMPEONATO DA EUROPA DE PERCURSO DE CAÇA
Foi ganho individualmente por P. HOWE da Grã-Bretanha, que fez 169/200.
Seguiram-se os franceses DUFOUR e MICHEL LAUR, que desempataram para o segundo
lugar, tendo o primeiro feito 21/25 e o segundo 19/25. MICHEL RIBOULET foi 4º
com 167. De notar que durante a prova e antes que ela terminasse, uma das
máquinas da torre caiu e todos os pratos por ela atirados tiveram que ser
anulados. Isso deu origem a que MICHEL RIBOULET que empataria com P. HOWE para o
primeiro lugar, tenha ficado em quarto.
A queda da máquina da torre só aconteceu, porque ninguém me deu
ouvidos, quando avisei primeiro o responsável Francisco Ferreira, mais conhecido
por Mestre Chico e depois o próprio Dr. João Maria Bravo, que tal poderia
acontecer, dado o estado de desgaste em que os cabos de sustentação se
encontravam. Eu nessa época seguia com enorme paixão, tudo o que se relacionava
com o P.C. Daí ter um dia reparado que os cabos que subiam as máquinas estavam a
ficar “cansados”. Daí também o meu aviso aos responsáveis. Mestre Chico porém
não nutria grande simpatia pelo P.C. e nada fez. Quem viria igualmente a
beneficiar da anulação dos pratos daquela máquina, foi AUGUSTO SIMÕES que pela
segunda vez se sagrou campeão da Europa na categoria de veteranos.
Em seniores a classificação dos portugueses não foi brilhante. O primeiro foi
BERNARDO SIMÕES em 46º com 146. Seguiram-se ANTÓNIO CÂNDIDO em 67º com 137, JOÃO
RAMOS em 75º com 134, JOÃO LEITÃO CRUZ em 80º com 131, JOSÉ LUIS MONTALVÃO em
83º com 130. LACERDA BARRADAS, membro da equipa de Portugal não foi além de 100º
com 124, o mesmo resultado feito por mim e por JOSÉ LUIS GUEDES.
Em veteranos e para além da vitória de AUGUSTO SIMÕES com 111, ROMÃO GUERREIRO
foi 4º com 102, JOSÉ DEL-RIO ficou em 8º com 88 e MÁRIO CHAVES em 10º com 87,
entre outros.
Em juniores apenas tivemos um representante. VERÍSSIMO JR. Que ficou em 5º lugar
com 96, tendo a prova sido ganha pelo francês FRÉDERIC MANJOT com 118.
Em senhoras Portugal não se fez representar. A prova foi ganha pela francesa MICHÈLLE ROUX que fez 128, seguida pela britânica C. ANDREWS com 124 e pela
também francesa CLAUDE MENG com 119.
De notar que neste campeonato, veteranos e juniores atiravam a 150 pratos,
enquanto senhoras e seniores o faziam a 200.
Na classificação colectiva que foi ganha pela GRÃ-BRETANHA com 652/800, PORTUGAL
ficou num modesto 5º lugar com 538, suplantado ainda pela BÉLGICA com 616, pela
ESPANHA com 624 e pela FRANÇA com 644 e á frente da IRLANDA com 518 e da SUIÇA
com 509.
A nossa equipa foi constituída pelos atiradores, ANTÓNIO CÂNDIDO, BERNARDO
SIMÕES, JOÃO LEITÃO CRUZ e LACERDA BARRADAS.
1º CAMPEONATO DO MUNDO DE PERCURSO DE CAÇA
Como já acontecera no Campeonato da Europa, houve também que anular os pratos da
máquina que caiu. MICHEL RIBOULET (um atirador extraordinário), vingou a derrota
naquele campeonato, superiorizando-se a todos os outros participantes,
terminando com três pratos de vantagem para o segundo e cinco para o terceiro,
que foi P. HOWE. De notar que devido ao pouco tempo disponível, houve
necessidade de “inventar” uma maneira de abreviar o tiro. E aqui mais uma vez,
Mário Chaves mostrou o seu enorme entusiasmo pela modalidade, descobrindo a
maneira de o fazer, sem que fosse preciso reduzir o número de pratos. Os últimos
vinte e cinco pratos foram atirados não num percurso, mas sim em dois. Isso
permitiu que em cada série de 25 pratos, em vez de estar uma única pranchada a
atirar, estavam duas, as quais o faziam em duas posições. O Coelho tinha duas
onde se atiravam 12 pratos. Atirados estes, as pranchadas passavam para a
Ravina, onde se atiravam os restantes 13 pratos noutras duas . Entretanto e logo
que uma pranchada passava para a Ravina, outra começava a atirar no Coelho e
assim sucessivamente. MICHEL RIBOULET que foi dos últimos a atirar, tinha para
garantir a vitória, que fazer 25 no conjunto dos dois percursos. E em quatro
posições com pratos muito difíceis, balanceando-se no seu estilo muito próprio
de concentração, conseguiu essa proeza (foi o único), sagrando-se primeiro
Campeão do Mundo de Percurso de Caça. De notar que nos primeiros dez lugares, a
França meteu sete atiradores. MICHEL RIBOULET (F) fez 229, MICHEL LAUR (F) 226,
P. HOWE (GB) 224, E. MALLET (F) 223, D. DUFOUR (F) 222, MARK POLET (B) 220,
HERMOSILLA (E) 217, WELLS (GB) 216, P. CHAMPEIX (F) 215, GUY LEGRAND (F) 214.
BERNARDO SIMÕES foi 40º com 196, J. LEITÃO CRUZ 67º com 181, ANTÓNIO CÂNDIDO 85º
com 170, no mesmo lugar e com idêntico resultado JOSÉ LUIS MONTALVÃO, JOÃO RAMOS
95º com 166, LACERDA BARRADAS 109º com 161.
Em veteranos AUGUSTO SIMÕES deu uma grande tareia nos seus opositores, ganhando
com 14 pratos de diferença para o segundo e sagrando-se primeiro Campeão do
Mundo, na categoria de veteranos De notar ainda, que na classificação geral aos
275 pratos, foi o melhor português com 204 pratos partidos. AUGUSTO SIMÕES fez
148/200, S. BARLOW (GB) 134, TOWNROE (GB) e ROMÃO GUERREIRO 127, ( no desempate
para a medalha do terceiro lugar o britânico levou a melhor, fazendo 19/25
contra 17/25 do português ). JOSÉ DEL-RIO foi 8º com 115 e MÁRIO CHAVES 9º com
113. JOAQUIM CARDIM com 106 foi 13º e JOSÉ PACHECO RODRIGUES ficou em 14º com
103, entre 17 atiradores.
Em senhoras Portugal não se fez representar. A vitória coube à francesa M. ROUX
que fez 186.
Em juniores VERÍSSIMO JR. Foi 6º com 127. O campeonato foi ganho pelo francês
FRÉDERIC MANJOT com 149.
Colectivamente ganhou a FRANÇA com 872/1100. Seguiu-se a GRÃ-BRETANHA com 857, a
ESPANHA com 817, a BÉLGICA com 791, PORTUGAL com 708. Atrás ficaram a IRLANDA
com 690, ÁFRICA DO SUL com 684 e SUIÇA com 672.
Dotados de excelentes prémios, com uma organização magnífica e à altura de tal
evento, com uma espectacular recepção aos atiradores a convite do na altura
Presidente do C.P.T.C. Dr. João Maria Bravo, feita na sua quinta, terminaram
estes campeonatos, deixando nos seus participantes estrangeiros uma enorme
vontade de regressar.
E foi durante estes campeonatos que o espanhol JUAN DE AVALOS, arquitecto de
profissão e um extraordinário artista a desenhar, nos brindou com as gravuras
que se seguem e que têm a seguinte história: Os resultados obtidos pelos
atiradores no percurso “Planalto”, eram anormalmente baixos, devido à enorme
dificuldade do traçado que fora feito. Recordo por exemplo, que o inglês Wells
que já tinha sido duas vezes campeão da Europa, fez lá um quatro ( sim um 4 em
25 )!
Estávamos a almoçar no restaurante do clube quando nos chegou essa notícia.
Pegando numa caneta de feltro, Avalos desenhou na toalha que era de papel, a ida
e a volta dum atirador ao referido percurso. Brilhante a ideia e brilhantes os
desenhos sem dúvida, os quais tive a feliz ideia de guardar.

Copyright©
Juan de Avalos

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Juan de Avalos
Perto do final de 1979, nos primeiros dias de Novembro, realizaram-se eleições
para novos corpos gerentes da FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE TIRO COM ARMAS DE CAÇA.
Constatando o meu entusiasmo pelo tiro e especialmente pelo Percurso de Caça,
Mário Chaves que ia sair, fez-me um convite para integrar o novo elenco que iria
dirigir os destinos do tiro com armas de caça em Portugal. Inicialmente hesitei,
pois ainda me recordava do tempo em que fora dirigente da ASSOCIAÇÃO NAVAL DE
LISBOA, esse velhinho Clube já centenário, o mais antigo clube da Europa
continental e do trabalho que durante cerca de quinze anos aí desenvolvera. Ser
dirigente desportivo era (e é) um trabalho extra, que para além de não ser
remunerado era (e continua a ser) por vezes muito mal compreendido. Além disso,
raramente alguém se disponibilizava para ocupar esses lugares. Quando convidados
a fazê-lo, todos tinham imenso trabalho ou ocupações impeditivas disso. Porém e
curiosamente, para criticar o trabalho dos que a tal não se negavam, estavam
sempre como infelizmente continua a acontecer, na primeira linha. Todavia o
entusiasmo era muito e o trabalho a desenvolver bastante aliciante. Por outro
lado, a equipa escolhida parecia ser coesa. Presidida pelo Dr. Augusto Leite de
Faria, que vivia no Porto, tinha como vice-presidentes Manuel Paio para o tiro
ao voo e Lacerda Barradas para o tiro aos pratos. Fernando Paulino e José
Mestre, este prematuramente falecido, eram respectivamente tesoureiro e
secretário para o tiro ao voo. No tiro aos pratos, Manuel Vilarinho ficou como
secretário e eu como tesoureiro. A primeira reunião da nova direcção, após a
tomada de posse, realizou-se no dia 22 de Novembro na sede da Federação em
Lisboa. Esta sede, na Rua Júlio Dinis, tinha duas divisões com cerca de nove
metros quadrados cada. Não tinha arrecadação nem dispensa e o arquivo era feito
na “kitchenette” que por sua vez se situava no hall de entrada e que era muito
pequeno. Uma das divisões servia de secretaria onde pontificava o Sr. Fernandes,
G.N.R. reformado, que era de uma fidelidade absoluta à Federação. A outra servia
como espaço de reunião da direcção. Quando a mesma se reunia na sua totalidade,
o que raramente aconteceu, quase não cabíamos todos lá. A reunião acima citada,
convocada pelo Presidente Leite de Faria, começou recordo, com um atraso de
cerca de uma hora. Todos estávamos impacientes mas aceitámos o atraso, pois o
Presidente vinha do Norte. O Dr. Leite de Faria chegou, abriu uma pasta e
disse-nos: «meus amigos, vamos discutir alguns assuntos referentes ao futuro do
tiro em Portugal. Como mais importante, temos a nomeação do espanhol António
Gaiztarro para presidente da F.I.T.A.S.C. Eu estou de acordo e espero que todos
vós concordem também. Passemos pois aos assuntos seguintes».
E assim começou aquilo que julgávamos ser uma nova era no tiro desportivo em
Portugal.
Brevemente voltarei a este assunto
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