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Meu Caro Paulo,
Após a última conversa que tivemos a respeito do
Percurso de Caça e depois de ponderar bem sobre a mesma, resolvi aceitar o
desafio que me fez, mesmo sabendo bem a enorme carga de trabalho a que me vou
sujeitar. Com efeito escrever sobre um tema que tem já mais de trinta anos não é
fácil e exige um grande trabalho de pesquisa.
Vou valer-me de elementos que tenho em meu poder,
pesquisar outros na Federação e falar com pessoas que na altura começaram a
atirar nesta interessante modalidade.
Corria o ano de 1972, quando pela primeira vez
entrei no Clube Português de Tiro a Chumbo, levado pelo meu amigo César Pinto
Cardoso. O César era na altura o responsável pelas vendas na Sodarca. Gostei
bastante do ambiente que existia no CTPC e decidi fazer-me sócio. Porém naquela
época a jóia de admissão era cara e o dinheiro disponível não era muito. Na
condição de convidado ainda lá fui várias vezes, mas o local onde mais ia atirar
era sempre nos Soeiros. Acabei por entrar para sócio do CPTC em 09.09.75,
beneficiando duma isenção de jóia. Comecei por praticar tiro ao voo, onde
utilizava a minha Merkel. Segundo a opinião de alguns atiradores que
frequentavam o clube, eu tinha jeito para a modalidade, jeito esse expresso
nalgumas pequenas provas que lá ganhei. Mas eu treinava sobretudo para a caça,
que na altura praticava intensamente. Nesse aspecto o tiro ao voo não me
satisfazia totalmente, o mesmo acontecendo com o tiro aos pratos em skeet ou
fosso olímpico. Foi então que descobri o Percurso de Caça, o qual dava em
Portugal os primeiros passos. Experimentei e gostei. Gostei tanto que passei a
praticá-lo intensamente, não mais atirando noutra modalidade, a não ser
casualmente. Outro factor que muito me influenciou, foi sem dúvida o magnífico
ambiente que existia, na altura, na pequena família do Percurso de Caça. E aqui
recordo com imensa saudade, Mário Chaves. Ele foi sem dúvida, o introdutor do
PC em Portugal. A ele se devem muitas coisas relacionadas com o PC, entre
elas a instalação no CPTC da torre de alto voo, que foi pioneira na Europa.
E mesmo correndo o risco de esquecer alguns, lembro
nomes de atiradores pioneiros, que de imediato se apaixonaram pela modalidade:
Mário Chaves, Augusto Simões, Rodrigo Santos Lima, Augusto Resende estes
infelizmente já falecidos, Romão Guerreiro, João Cruz, Manuel Alfredo de Melo,
Luís Champalimaud, Manuel Champalimaud, José Luís Guedes, José Luís Montalvão,
João Franco, José Del Rio, José de Matos, João Ramos, Manuel de Oliveira, Romeu
Piçarra, Eduardo Martins, Armando Marques, João Guedes e o nortenho Pacheco
Rodrigues. Recordo com saudade que nessa altura ainda a velha cabana de colmo do
CPTC funcionava. Esta cabana, situada no caminho de acesso à torre, no tempo em
que havia honestidade e disciplina em Portugal, estava permanentemente
abastecida com bebidas e tinha um frigorífico. Tinha igualmente uma tabela de
preços. As pessoas passavam e se tinham sede, bastava-lhes retirar a bebida que
queriam, depositando numa caixa instalada para o efeito, a importância a pagar.
Recordo ainda que a cerveja custava na altura 2$50 e o whisky 7$50. Tudo isto
terminou, quando alguns sócios dos novos começaram a retirar bebidas, não as
pagando. E mais grave ainda, outros roubavam o dinheiro dos honestos que as
pagavam! Recordo também, que na época, o CPTC organizava todos os fins de
semana, de manhã, provas inter-sócios. Nos Sábados eram de PC e de Skeet. Nos
Domingos eram de F. Olímpico. À tarde eram sempre de tiro ao voo. Mário Chaves
era o grande dinamizador do PC Chegava a telefonar-me para casa, por volta das
sete horas da manhã, lembrando-me que havia o tiro. Por vezes oferecia o almoço,
que era comido na cabana de colmo. Normalmente era um cabrito assado no forno,
que a D. Maria Eugénia Chaves confeccionava como ninguém. Que saudades eu tenho
desses tempos!
A nível internacional tudo terá começado em
1967/1968. Diz-se que foram os ingleses que o inventaram. Mas terá sido em
Paris, no seio da F.I.T.A.S.C., que ele verdadeiramente nasceu. Logo que tenha
oportunidade de o fazer, procurarei ouvir da boca de alguns atiradores mais
velhos e que felizmente ainda são vivos, se na realidade foi assim.
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